Porque empreender é a melhor forma de aprender?
O mundo mudou. O Brasil ainda não percebeu.
Nossos pais e avós cresceram acreditando num caminho linear: estudar, se formar, conseguir um emprego estável. Fazia sentido num mundo onde a informação era escassa e as oportunidades, concentradas.
Mas esse mundo não existe mais.
Hoje qualquer jovem com acesso à internet consegue aprender a programar, lançar um produto, alcançar um mercado global — sem pedir permissão para ninguém. O acesso às ferramentas de construção nunca foi tão democrático. E ainda assim, o Brasil parece não ter percebido isso.
O ambiente que mata antes de deixar crescer
Quantas startups brasileiras realmente decolam? Quantos jovens têm acesso a mentoria, investimento e um ambiente que os incentive a construir?
Quantas empresas nascidas dentro de universidades públicas brasileiras sobrevivem além de 5 anos?
Nos Estados Unidos, no Reino Unido, em Israel — o empreendedorismo jovem é tratado como ativo estratégico. Há programas de aceleração, cultura de risco, e uma sociedade que respeita quem tenta. No Brasil, o sistema parece estruturado para desincentivar: burocracia excessiva, carga tributária absurda, e uma cultura que ainda valoriza o diploma mais do que o que você construiu com ele.
A faculdade virou validação social. O jovem que quer arriscar, construir algo do zero, se vê preso num ambiente que recompensa a conformidade.
Uma contradição que me incomoda
Como um país tão rico em recursos naturais, com uma população jovem e criativa e um potencial de mercado enorme, pode se dar ao luxo de não incentivar sua população a construir o futuro?
Não é falta de talento. Não é falta de vontade. É falta de ambiente.
A tecnologia poderia ser o grande motor de ascensão social no Brasil — mas tudo conspira contra: impostos que inviabilizam, burocracia que cansa, e uma narrativa cultural que ainda enxerga o empreendedor com desconfiança.
Por que eu comecei a empreender
Não foi por romantismo. Foi por convicção de que não existe outro caminho para quem quer gerar impacto real.
Não dá para depender de um sistema disfuncional para construir algo que importa. Então você aprende a operar dentro das limitações, a ser criativo com o que tem, e a encontrar pessoas que pensam da mesma forma.
Foi assim que nasceram o Junto e a Solitus — não apesar do ambiente difícil, mas em resposta a ele.
O que cada um pode fazer
Não adianta só criticar o governo ou o sistema. Isso é fácil e não muda nada.
O que muda é quando mais pessoas decidem construir — mesmo sem incentivo, mesmo sem garantia, mesmo sem aprovação. E quando quem já está construindo ajuda quem está começando: com mentoria, com conexão, com uma palavra que diz "vale a pena arriscar."
Se você está lendo isso e tem vontade de construir algo — não espere o ambiente perfeito. Ele não vai chegar. Comece com o que você tem, encontre pessoas com a mesma visão, e vai.
O futuro do Brasil vai ser construído por quem decidir não esperar.
Gustavo Barra Felizardo
Estudante de CC na UFMG · Pesquisador @ FutureLab · Fundador da Solitus & Junto